Caros amigos,
Tava pensando aqui, em alguém que não mais verei.
Como sabem, me sinto determinadas vezes como um garoto de 12 anos.
Quando numa tarde de verão (férias), você não quis ir andar de bicicleta com seus amigos. De repente começa a chover. Chuva de verão. A chuva acaba, e eles voltam sorrindo, gargalhando, brincando... e naquele momento você tem uma vontade enorme de não ter ficado em casa, sente uma coisa que não sabe explicar, uma saudade do que não participou, talvez arrependimento. Mas logo em seguida você pega a sua bicicleta, e seus amigos vão andar com você, dentro do seu peito, aquela vontade imensa de que chova novamente, vontade de recuperar o tempo perdido por opção. Não chove. Você e seus amigos começam então a passear sobre as poças de água que ficaram na rua. Não foi reescrita uma historia com chuva, foi escrita uma nova historia com as poças de água que ela deixou. E a diversão é tão boa quanto a anterior.
Não é essa a definição de saudade. É disso que eu sinto saudade.
Se eu fosse um garoto de 12 anos, a qualquer momento poderia pegar minha bicicleta e reescrever uma nova historia sobre as poças de água que a vida deixou.
Depois que se deixa de ter 12 anos, as poças de água secam muito mais rápido. É irreversível esse processo. Resta-nos a lembranças de poças de água que poderiam ter servido para alimentar nossas historias.
A Saudade que eu sinto é de não poder voltar atrás e encontrar as poças de água, ou, encontra-las secas, sem chance de escrever uma nova historia!
É mais ou menos assim que se sente saudade sem que a vida tenha te dado “pelo menos” a oportunidade de encontrar uma poça de água.
As poças secaram com a pessoa que se sente saudade, e o que me resta... É lembrar dela como a chuva. Forte, intensa... Presente como a CHUVA DO VERÃO!